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Special Things by Me

Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

Special Things by Me

Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

Os filhos dos outros

Uma coisa que reparo desde que sou mãe.

 

Os filhos dos outros, são sempre mais mal educados, mais birrentos, mais irrequietos. Ainda usam chucha, ainda usam fralda, não fazem isto, não comem aquilo.

Geralmente quem diz isto nem tem filhos, mas adora mandar postas de pescada, mas depois quando são pais fazem exactamente os mesmos erros que os outros pais, porque os nossos filhos são sempre mais pequeninos, que coitados são tão pequenos que ainda dormem com os pais, não importa que os filhos dos outros fossem para o quarto deles com menos de 6 meses. Isso é porque o filho dos outros não é o nosso filho pequenino. O nosso filho pequenino usa chucha coitado e ai de quem lhe a tire... não importa nada que esse mesmo pai ao filho dos outros esteja sempre a dizer mais ainda usa chucha, ou tira a chucha, mesmo que o bebé dos outros ainda tenha meses.

 

Depois existe aqueles pais, que exibem os filhos a força toda, o meu Zé Manel já conta até 10 e ainda só tem 1 ano... já fala pelos cotovelos, e o Zé Manel a meses que anda, e dizem isto quando a nossa filha começa a andar com 10 meses, mas a diferença é que o Zé Manel começou a andar depois de um ano, mas isso não interessa nada por o Zé Manel é tão melhor que os outros, é sempre o melhor.

 

Sim sei o que é ter orgulho na minha filha, e sei que para mim a minha filha é a mais perfeita, mas tento por um travão em mim, quando eu digo sim a M aos dez meses já anda, e aos 8 meses andava agarrada a tudo... e sim a M deixou a fralda aos 2 anos e a tutu pouco tempo depois.

Tento sempre por um travão porque a M começou a falar depois de muitos meninos da idade dela, e sei o que eu ouvia, com o Zé Manel já sabe as cores, as formas, e conta até dez... e a sua não.

 

No fundo, no fundo, somos todos pais e todos nós fazemos o melhor com aquilo que temos.... e nenhuma criança é igual a outra criança.

Sempre a aprender

Não obrigo a Ana a dar beijinho e abraços a adultos (em bom rigor a ninguém). Nem obrigo a ir ao colo nem nada que invada " a sua bolha". Entendo que não sou dono do corpo dela. Obviamente que ela deve tratar as pessoas todas com respeito mas isso não contempla demonstrar afecto físico para as agradar. O seu corpo é sua propriedade privada e incentivo-a, desde cedo, a ouvir a sua intuição: se se sente confortável e por iniciativa própria lhe apetece cumprimentar com um beijinho ou um abraço uma pessoa, tudo bem; se não se sente confortável e não o faz, tudo bem também.

 

Depois de ler isto aqui, não posso deixar de concordar e de partilhar... e mandar ao meu marido, porque a M nem sempre quer dar beijos, ou melhor é preciso ela gostar muito para dar um.... e agora que li isto vi que procedemos mal... sempre a aprender, sempre a aprender.

Os jovens de hoje

Numa conversa habitual de desabafo sou abordada com o "a minha filha que vai fazer 18 anos está numa idade muito complicada, eu não sei o que fazer porque quando eu tinha 18 anos era fácil ter trabalho, o que respondo a uma jovem que não quer tirar o 12 ano porque não vale a pena que não há emprego?" 

Eu pensei nisto e reflecti e aconselhei como mãe e como quem ainda a poucos anos (11 anos) teve essa idade. Sei que quando foi para escolher a área de ensino, se letras, economia ou ciências me senti angustiada, só estava eu no 9 ano e já tinha uma responsabilidade tão grande... resolvi pelas notas que tinha, era boa a ciências. 

Quando estava a terminar o 12º ano tinha de escolher o curso, e o que eu gostava mesmo era do ensino, mas o ensino estava mal muito mal e depois de muita angustia minha e pressão de escolher uma profissão que desse emprego fui para biologia celular e molecular, não para biologia marinha que isso não dá dinheiro. Conclusão não fui para investigação porque não há bolsas e trabalha-se muito a borla e tive muita sorte e graças ao meu marido e a mulher de um amigo dele que a vida me abriu a porta a este emprego (foi por mérito sim, a única cunha foi a pessoa levar o curriculum a uma amiga e essa amiga dar-me emprego a recibos verdes, onde conheci indirectamente as pessoas para quem trabalho agora e me contrataram pelo bom trabalho efectuado). Mas trabalhei quase um ano em call-centers que eram os únicos locais que aceitavam licenciados. Trabalhar num shopping ou supermercado é ter as portas fechadas porque somos licenciados e se mentimos na formação não nos dão emprego porque estivemos 5 anos sem fazer nada. 

 

Sim é uma pressão muito grande para os jovens de 18 anos, mas o meu conselho é que os pais não deixam os filhos baixarem armas só porque o futuro não aparenta ser risonho, ninguém sabe o que o futuro nos trará... o que não podemos ser é derrotistas... sim acabem pelo menos o 12 ano... e sim os pais devem incentivar os filhos a que trabalhem quando acabem o 12 ano... ou se os filhos quiserem estudar/ trabalhar ao mesmo tempo que imponham regras. A meu entender o pior que podem fazer a um jovem de 18 anos é dizer ok vais trabalhar, ficas em casa dos pais, a mãe trata da comida e da roupa e faz tudo pelo filho(a) e o dinheiro que eles ganham é para as despesas deles... E eu pergunto que despesas, ah para saírem com os amigos e comprarem roupa e afins. Então mas pêra ganham o ordenado mínimo, muitas vez o mesmo que os pais, mas depois não ajudam os pais? Ah não porque o dinheiro é deles e não é justo fazerem isso, os meus pais não me fizeram isso e eu tb não faço isso aos meus! Mas espera no seu tempo os seus pais deixavam andar a vadiar todos os dias ou fins-de-semana pós trabalho? Não, mas por isso é que nós queríamos sair de casa porque não tínhamos liberdade. 

E assim chegamos a minha conclusão, os pais hoje em dia querem dar o melhor aos seus filhos, não percebendo que não os estão a empurrar para fora do ninho mas sim a prender ao ninho. Se eu for um jovem de 18 anos, começar ali a trabalhar por exemplo numa loja de roupa, sim temos um chefe e pode ser chato, trabalhar fins de semana e ter folgas rotativas... mas depois chego a casa e tenho roupa lavada e comida na mesa sem ter de contribuir uma palha, seja em dinheiro ou trabalho manual e ainda tiro um rendimento de 500 euros ao fim do mês só para mim... oh maravilha para que sair de casa e ser independente?!! Ou para que prosseguir os meus estudos ou lutar por uma vida melhor se tenho uma vida boa em casa dos meus pais?! 

E é assim que as vezes em questões de segundos ou minutos os pais destroem uma educação de toda uma vida, pois pensam que é injusto que os filhos contribuam para a casa se isso é da responsabilidade dos pais. 

Alto e para o baile, é da responsabilidade dos pais dar educação aos filhos, educação essa que é obrigatória o 12º ano, se o filho quer se licenciar e os pais tiverem capacidade para ajudar melhor. Senão o poderem ajudar epá não chorem baba e ranho porque no estrangeiro é prática comum, estudar e trabalhar. 

 

E fica aqui este texto para quando eu tiver com uma filha com quase 18 anos e me sentir tentada a cair na tentação de lhe dar tudo de mão beijada. Nem que seja ela pagar só a sua alimentação por exemplo, ou dar 100€ por exemplo que vão para uma conta dela e eu depois dar-lhe quando ela sair de casa. Mas algo que lhes ensine um pouco do que é a responsabilidade financeira... que isto não é só trabalhar e gastar dinheiro, ser adulto exige muita responsabilidade financeira e muito trabalho domestico, que a maioria dos jovens em Portugal nem faz ideia o que significa ser adulto.