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Special Things by Me

Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

Special Things by Me

Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

Nem tudo são rosas

Ontem o final do dia foi daqueles dias que nos faz pensar que o baby blues não são só no pós-parto, ou então esse pós-parto deve durar toda a vida em que somos mães. 

Quantas mães (e eu sei que sentem, mesmo aquelas que dizem que adoram ser mãe e julgam quem diz as verdades) é que não pensam várias vezes no que se foram meter, ou que não vamos ser capazes. 

Todos os dias, todas as etapas trazem desafios, conquistas sim, mas muitos desafios... inicialmente é o entender o bebé, o dar de mamar (que deveria ser fácil e intuitivo e não é), depois vem as cólicas, depois já não é as cólicas e é o mimo (e pensamos oh é bebé não faz mal, mas depois não fazemos mais nada que dar colo e começamos a entrar em stress)... depois vem as aventuras da introdução alimentar... as primeiras doenças, os primeiros dentes. Claro que há dias bons, muito bons e acima de tudo muitos momentos que compensam os maus. Mas os momentos maus aliados ao cansaço dão nisto... dão em pensar que não somos boas mães, que não somos capazes. 

E isto também se aplica aos homens, pelo menos no meu vejo-o assim frustrado ou triste porque não soube reagir bem a uma birra ou quando ela atira com a comida... vejo nos olhos dele e reconheço o sentimento... 

 

A M neste momento esta a aproximar-se da fase dos terríveis dois anos, que segundo li e pesquisei é uma altura que nem eles próprios sabem o que querem, já sabem que são um ser independente de nós e que podem tomar decisões, mas não sabe lidar come elas. Ex.. faz birra porque quer o avião azul e não a bola, tiramos a bola e damos o avião e ele chora e atira tudo ao ar porque afinal a bola também era gira. 

O mesmo se pode passar com a comida, já sabem que existe vários alimentos disponíveis, e quando começam a comer já não  querem a sopa, mas também não era a fruta, e agora já quer sopa mas assim que mete a boca deita fora... Já quer comer sozinho, mas depois distrai-se e começa a brincar e o pai ou mãe vai e começa a tentar dar, parece que se instala o inferno e salta comida por todo o lado. 

Sei que há muitas mães e pais que não ligam, se não come não come... ou então decidem dar os alimentos separados do tipo um pouco de legumes, massa ou arroz ou batata, carne  e fruta e deixar o bebé comer aquilo que quer, o que não quer não tem problema. 

Não sei qual a melhor solução, eu até deixo ela fazer isso com o segundo prato, mas para mim a sopa é importante, porque sei que muitas vezes não a vai comer, sei que é um hábito importante. Sei que eles comem melhor se comerem acompanhados, mas nem sempre isso é possível principalmente durante a semana. 

São muitos ses e escolhas pelas quais nós pais temos de passar, escolhas essas que influenciam a maneira de ser e personalidade dos pequenos, eu assisti a uma mãe demasiado permissiva na alimentação, não comia não tinha problema dava iogurtes ou papa depois... e assisti a esta mesma criança estar 3 dias a comer chocolates e papa a noite e ficar completamente doente. Essa mesma criança hoje tem 7 anos e ainda faz fitas para comer, e muitas vezes não come e os pais pelo cansaço ou por sempre terem sido assim desistem e no final dão o que ela quer. 

Por não querer ser uma mãe assim permissiva, ontem após 2 semanas de birras eternas para comer, depois de confirmar que na creche come, e que não tem nada de doença pois foi vista pela pediatra. Depois de um fim de semana a fazer o mesmo (mesmo estando descansada e acabada de acordar) ontem armei guerra em casa... não sei se é fruto do maldito remédio que ela tem de tomar, sabe a limão e arranha a garganta como se tivéssemos comido um comprimido, no inicio tomava a seringa até saber o que aquilo era, depois começou a deitar fora. Eu misturo com a fruta resultou durante 1 semana, depois começou a mandar a fruta fora, então dava aos poucos misturado com a fruta e um pouco de sopa. 

Agora por si começou a deitar fora toda e qualquer comida sólida, mas só em casa. Ontem depois de ter feito isto, ter mandado 5 colheres ao chão, entornado metade da comida por cima dela. Tive de por um time out (para mim). 

Deixei a sozinha na cadeira da papa (com os cintos posto), voltei quando acalmou, tentei novamente, e o resultado o mesmo deitar fora a comida (mesmo sem medicamento a vista)... agarrei nela na seringa com medicamento e fiz uma técnica que a educadora me ensinou (para limpar e aspirar o nariz aos meninos quando estamos sozinhos) que é deitar a criança no chão ou na nossa cama, por o nosso tronco em cima dos braços (sem fazer força) e ter duas mãos livres para conseguir, primeiro agarrar a cara dela, e a outra para por o medicamento direccionado a garganta para ela não o cuspir. 

Chorou e berrou e eu chorei com ela, odeio dar este medicamento, odeio se isto tem de ser para a vida dela, porque durante muito tempo ela não vai entender o porque que lhe faço isto... que é para o bem dela. 

Deixei passar, deixei brincar e voltei a buscar a sopa para comer na sala na mesa de brincar dela, deu a sopa a mim e eu deixei, comeu uma colher e depois começou a brincar com a colher e a espalhar a sopa toda e eu ralhei novamente, que a sopa não é para brincar que estava a sujar tudo... nova birra... deixei passar, deixei que viesse ter comigo, sentei ao meu colo e voltei a dar 3 colheres com ela a chorar, depois comeu o resto da sopa (90ml) na boa sem dramas, acabou e eu disse já esta... e ficamos ali paradas e eu aproveitei e expliquei novamente com calma que não podia mandar comida fora, que era feio, que se não quer diz já esta e a mama entende que não tem fome, mas depois vai para a cama sem comer que a mamã não dá leite.... expliquei novamente porque tenho de dar o medicamento. 

Ela tem 17 meses não deve de ter entendido nada zero... as 4 da manhã acordou dei leite, as 7:30 tentei dar iogurte não quis, dei o copo para a mão comeu uma colher e começou a brincar novamente e a espalhar tudo e eu desisti e mandei o iogurte para darem na creche. 

Sei que são fases, sei que são os espinhos da minha rosa, mas são espinhos que nos picam no coração porque não sabemos como lidar com eles. 

 

Pensei muito neste post se o escrevia ou não, mas eu sou apologista de dizer a verdade, de dizer o bom e o mau e o feio...Sei que quem não é pai me olha de lado do tipo mas tu não querias ser mãe?! 

Mas falo e escrevo porque sem que muitas mães e pais se escondem, ficam deprimidos porque sentem-se perdidos nos períodos maus, que muitas vezes são diários, que vivem com a culpa de sentirem o que sentem. Sentem-se os únicos no mundo que sentem sentimentos contraditórios em relação aos filhos, amam os perdidamente mas há momentos que nem os podem ver a frente... e sentem a culpa porque um pai ou mãe só devia de amar incondicionalmente e devia de andar sempre feliz e alegre e saber lidar com as birras e os desafios e os dramas de adolescência. 

Mas se todos falássemos, veríamos que todos (atire a primeira pedra quem nunca sentiu) se sentem perdidos, mal preparados para serem pais...