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Special Things by Me

Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

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Um blog sobre ser mãe, mulher e esposa. Um blog sobre os desafios da maternidade, sobre alimentação especial, um blog sobre tudo e sobre nada.

Perda gestacional

 

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Este assunto toca comigo profundamente, sempre quis ser mãe, ainda antes de saber que profissão teria sabia que queria ter uma família e dois filhos. 

Quando em 2013 decidimos aumentar a nossa família fiquei super radiante quando engravidei a primeira e fiz o teste e deu positivo e a minha irmã estava grávida de 5 semanas e eu de 4 semanas tudo muito pouco planeado juro. 

A família toda radiante dois netos, sobrinhos que iriam nascer na mesma altura, nunca mais me esqueço desse fim de semana. 

Eu já sabia que estava grávida após uma semana de conceber porque comecei com moinhas que são as chamadas de implantação do óvulo e passei assim as 2 semanas mais felizes da minha vida... até que no dia 8 de Fevereiro estava a trabalhar e sinto uma dor nas costas e uma dor forte como se o periodo tivesse para vir e senti um corrimento... eu estava a almoçar e soube logo ali que aquilo estava a correr mal, fui a casa de banho e um pouco de sangue... tento ficar calma e penso pode ser só um susto... vou para casa e ligo ao marido em casa, o sangue tinha aumentado... ele leva-me ao hospital e eu só chorava e quando lá cheguei ouvi pode estar a perder ou não... se parar até amanhã pode ser que não tenha perdido o bebé... marque uma eco para daqui a 15 dias para confirmar como a gravidez tem 5 semanas pelo seu ciclo, pode ainda estar a implementar-se e dar sangramento. 

Mas eu sabia que estava a perder, fui para casa e a dores aumentavam e o sangue também. A minha irmã veio ter comigo e deu-me apoio. Segunda liguei para a cuf e pedi uma ginecologista urgente que a minha estava de férias pois eu não ia aguentar estar 2 semanas na incerteza. 

Lá fui a hora de almoço da médica e confirmou-se que o endométrio já estava menos espesso que na eco de dia 8 e portanto confirmava-se a perda do bebé. Recebi imenso apoio da médica informou-me que tinha direito a 30 dias de baixa e apoio psicológico. 

A minha chefe apoiou me imenso, disse que tinha imensa pena, mas para eu tentar aceitar que provavelmente o feto tinha mutações não compátiveis com a vida. Obrigou-me a tirar a licença, disse que era um direito que foi muito díficil de conquistar e que não o deviamos deixar passar, mas para não ficar em casa parada. 

No centro de saúde um apoio enorme da médica, disse que mesmo após a licença se eu senti-se necessidade que passava baixa psicológica e me arranjava apoio. 

Até aqui muito bem, até descobrir que a maioria das mulheres mente sobre a perda gestacional, escondem, sentem vergonha, quando eu contava o que me estava a acontecer, muitas pessoas conhecidas vinham contar as suas histórias de vida as escondidas. E eu sem entender, se isto não é a minha culpa porque é que eu vou mentir ou esconder, se perguntam eu conto. 

Sei que choquei muitas pessoas porque eu falava abertamente (e falo abertamente) da minha perda e tive várias reacções:

 

- Ah lamento - enquanto fugiam de mim como se eu tivesse a praga;

-Oh querida lamento, força, de quanto tempo estavas? - Eu - Só de 5 semanas - elas - Oh querida isso não era nada, isso era uma célula... 

 

Agora pensam ah só houve uma alma parva a ter essa saída, não infelizmente houve várias a fazer comentários, que ainda não era um bébe, era uma célula, nem um feto era... enfim

E isso só me servia para me magoar, para me sentir mal por estar a fazer o luto por uma célula...

 

Logo passado uns 15 dias engravido da M sem quer (disseram que não precisava de contraceptivo, mas depois a minha ginecologista disse que sim que eu precisava de dar descanso de 2 meses ao corpo) e o assunto morreu por ai... 

 

Até que o ano passado digo ao meu marido faz um ano que perdemos o nosso filho, a reacção dele foi temos a M esquece o que se passou. 

E as outras pessoas reagem todas da mesma forma quando eu dizia enquanto grávida é a sua primeira gravidez e eu não... ah então tem outro filho e eu não perdi-o e pronto olhavam-me de lado. 

Se eu tivesse dois filhos e tivesse perdido um, iria esconder da sociedade que tinha tido um filho... quando me perguntassem se era filho único eu iria dizer que sim?! Ia esconder... 

Pois eu conheço muitas pessoas que escondem que perderam filhos sejam eles gestacionais ou em bebés. 

E a conclusão que cheguei é que as mães e pais fazem-no porque sentem vergonha das reacções da sociedade, que não sabem lidar com a dor e então dizem coisas parvas como ah deixa lá ainda era bebé ou ainda não tinha nascido. 

 

Por isso vós peço para assinar a petição para haver um dia nacional da perda gestacional, para que a mentalidade das pessoas mudem, para que as mulheres não sintam-se mal por contarem ou desabafarem aos seus amigos que perderam o seu filho. Para que a sociedade deixe de ter o tabu de vamos só contar as 12 semanas a gravidez, porque se corre mal o que fazemos? Vamos ter muitas pessoas a perguntar.... 

 

A resposta é contem, celebrem a gravidez do início, se correr mal tem em quem se apoiar, a família e amigos. Caso contrário perderam um bebé e até estão a fazer o luto e só ouvem então nunca mais chega a cegonha?! Isto ajuda?! 

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